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Acabar com os estereótipos é essencial na busca por talentos

publicada em 13/01/2016

Práticas para se estabelecer a diversidade de gênero, raça e classe social, entre outros, no ambiente de trabalho têm sido bastante adotadas pelo mundo empresarial nas últimas décadas. De um lado, muitas organizações querem deixar seu legado social no sentido de acolher grupos desfavorecidos econômica e socialmente. De outro, muitos estudos mostram que um ambiente de trabalho mais diverso tem impactos positivos na adaptabilidade, capacidade de inovação e, consequentemente, na competitividade da empresa.

Após ter as minorias em casa, geralmente investe­se na criação de grupos de suporte, mentorias, coachs e programas de desenvolvimento, para que essas pessoas possam se desenvolver no ambiente empresarial.

Apesar de todos esses esforços em prol da diversidade, o avanço dessas minorias em posições de liderança evolui muito lentamente. Existem ainda críticas pelo fato de as empresas, algumas vezes, manterem determinadas pessoas com baixo desempenho somente para preencher cotas.

Um dos fatores que pode estar por trás desse contexto aparece em uma pesquisa realizada por Steven Spencer, Dianne Quinn e Claude Steele na década de 90. No

experimento, foi entregue um mesmo teste de matemática para dois diferentes grupos contendo tanto homens quanto mulheres. Para o primeiro grupo foi dito previamente que o resultado costumava ser diferente de acordo com o gênero dos participantes. No outro, foi dito os resultados não traziam essa diferença.

O resultado é surpreendente. No primeiro grupo as mulheres tiveram uma performance substancialmente menor que a dos homens. Já no segundo teste praticamente não houve diferença. Ou seja, o fato de se explicitar que havia um histórico de resultados diferentes entre gêneros foi o suficiente para que as mulheres tivessem um desempenho pior.

Diversas outras pesquisas mostram essa pressão que os indivíduos estabelecem sobre si próprios devido a estereótipos. Alguns dos estudos associam esse fato a consequências como a manutenção da desigualdade em escolas, comunidades e, obviamente, na sociedade. Associam também a autopercepção do estereótipo a uma sensação de não pertencimento desses indivíduos aos grupos em que convivem ­ e isso tem uma correlação direta com a baixa performance identificada.

Greg Walton, professor da Universidade de Stanford, na Califórnia, deu um passo além. Em um experimento que realizou na instituição, ele avaliou a performance de minorias durante um período de três anos do "college" (equivalente ao ensino superior no Brasil), sendo que em um dos grupos estabeleceu uma dinâmica onde todos os alunos participavam.

Nela, eles fizeram um vídeo onde falavam das dificuldades que estavam enfrentando na transição do "high school" (ensino médio) para o "college", mas que acreditavam que com o tempo iriam se adaptar e tudo seria melhor. Todos tinham o mesmo sentimento, independentemente de raça, etnia, etc.

Ao longo dos três anos, os resultados nas avaliações das minorias desse grupo foram muito melhores do que os grupos que não participaram desse teste ­ sendo que a diferença entre minorias e pessoas brancas do sexo masculino foi mínima. como se o fato de todos terem colocado para fora as dificuldades que viviam no início ­ e a esperança de mudar ao longo do tempo ­ reprogramasse a relação com a ameaça do estereótipo.

Sempre que leio essa pesquisa me vem à mente o quanto, no intuito de ajudar minorias nas organizações por meio de grupos de suporte, programas específicos, mentorias, entre outros, na verdade estamos reforçando ainda mais os estereótipos.

As pesquisas do professor Walton mostram que ao se utilizar o comum entre todos ­ minoria ou não ­ criava­se o senso de pertencimento adequado para eliminar a ameaça do estereótipo.

É como se um potencial latente de performance não fosse aproveitado por desconhecimento das empresas em relação à dinâmica dos indivíduos com eles mesmos.

Em uma época em que se fala constantemente de talentos, pouco sabemos sobre como aproveitar melhor os que podem estar ao nosso lado

 

Valor Econômico

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